CENTRO CÍVICO DE SANTA CRUZ

CONCURSO REALIZADO EM CO-AUTORIA COM
DÉLIA PAULO

O projecto assenta na criação de um percurso urbano e arquitectónico potenciador de continuidade e enformador de uma nova centralidade orientada segundo princípios do Lugar. Santa Cruz caracteriza-se por desenvolver-se em dois plateaus com funções distintas: um definido pelo casario numa cota alta, outro constituído pela praia numa cota baixa. Através de um percurso entre ambos, pretende-se promover um novo espaço público gerador de urbanidade e centralidade. Na cota alta, as arribas encimadas pelos varandins com os seus bancos e namoradeiras, pontuadas com toldos de Verão, constituem uma das imagens mais características e próprias do lugar. Os varandins propiciam não apenas o passeio descontraído, como também oferecem apreciáveis vistas sobre a paisagem num sistema pedestre contínuo pontuado pelas casas evocativas da grandeza de outra época. Na cota baixa, as esplanadas e a promenade à beira-mar são outros referenciais de permanência e espaço público. O Centro Cívico, seguindo a lógica da plataforma da torre, a filosofia dos plateaus, evocando os varandins, a escala doméstica das moradias, o encastramento da Azenha de Santa Cruz na encosta, enfantizando as vistas para sítios característicos, enquadra-se paisagisticamente valorizando o património natural e construído do Lugar.

Em resumo, são objectivos para esta intervenção:

•    A correcção de patologias construtivas e estruturais na cobertura;

•    A atribuição de melhorias de conforto térmico, promovendo soluções preferencialmente passivas ou ambientalmente otimizadas;

•    A valorização do objecto construído e do contexto urbano em que se insere bem como a sua perduração no tempo;

•    Desenvolver soluções que integrem na préexistência as exigências funcionais do presente, de forma que ambas se valorizem mutuamente.

•    Satisfazer condições de salubridade e qualidade do ar, dotando a cobertura de sistemas de ventilação e iluminação naturais;

•    A salvaguarda da identidade, lógica e carácter construtivos do edificado e da sua envolvente, sem prejuízo das necessárias alterações com vista ao disposto nos números anteriores;

•    A integração nas características morfológicas dominantes do contexto urbano.

Excetuando o novo volume da trapeira com expressão no alçado tardoz, as janelas de cobertura complanares e os demais alçados permanecem inalterados face ao existente. A operação em causa não estabelece qualquer relação com o arruamento principal ou com a capela de S. Jerónimo, objecto classificado que deu origem à zona especial de proteção em que a operação se insere. Formalmente, pretende-se que o novo volume assuma o seu tempo através do material e da cor do cobre, e que se integre na préexistência e na morfologia urbana e as valorize.

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